A árdua tarefa de espalhar o caos

Henfil,

Não existem partidos de esquerda ou de direita – nem mesmo ideologias que se contraponham. O que existe é a vontade de uma construtora. O dinheiro compra governadores, presidentes, senadores – homens e mulheres – brincos e anéis – carros e coberturas…

Parece que a contabilidade da construtora indica pagamento de propina desde 1988. Mas se procurar bem…  A partir de 1500 os escravos não tinham direito à aposentadoria – não havia problema com o déficit da previdência e ninguém estava preocupado com a expectativa de vida. Olha só… O negócio é rasgar a Lei Áurea e escravizar (mais ainda) todos os pobres. Resolvido!

Ninguém precisará de voto popular. Ninguém terá que explicar desvio de dinheiro público. Ninguém mais terá que construir escolas e fingir que está preocupado com educação. A população será finalmente analfabeta. Ninguém mais terá que se preocupar em construir habitações populares – qualquer buraco serve. Ninguém mais terá que medir suas palavras no telejornal. Ninguém mais precisará maquiar a verdade. Ninguém mais terá que construir hospitais. O caos será o sistema de governo sem nenhum disfarce. Os vereadores não terão mais apenas o irrisório número de vinte funcionários.  A eles serão destinados centenas de serviçais para ajudá-los na árdua tarefa de espalhar o caos.

E os que ganham milhões não terão mais que pagar impostos. E os que são banqueiros nem precisarão de correntistas porque verdadeiras fortunas estarão acumuladas – talvez negociem escravos brasileiros para o mundo inteiro.  E a mentira não fará mais parte de nenhum discurso porque a sinceridade estará na ponta da língua de quem detiver o poder: “Nós desprezamos os pobres desta terra”. “A morte prematura ou não de vocês não significa nada para nós.” “Vocês são a escória de uma sociedade dividida entre os senhores e a mão-de-obra escrava”.

É tão mais fácil dizer a verdade. É tão mais fácil ser sincero afinal. Passeatas e greves. Gente atrapalhando o tráfego. E por falar em tráfego – imagine se apenas os mais abastados tiverem direito ao transporte público e a comprar um automóvel. QUE MARAVILHA! As marginais de São Paulo sem congestionamento. 80, 90, 100, 150, 200 km por hora e nenhum radar. É um sonho.

A vida finalmente retratada em uma tela

Jornalirista.

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