De amor e copo de gim

Paulo Mendes Campos não está certo. Quem sabe pelo fato de não ter tomado gim com água tônica e limão. O amor não acaba. Os cigarros continuam acesos no cinzeiro para recomeçar mais uma conversa com café fresco, cheiro de tapioca com doce de leite e canela. As luzes da casa são apagadas. Despedidas: até à noite. O primeiro encontro e os cabelos claros da mesma cor de seus olhos. A maquiagem e a escolha do tom de batom para colorir os lábios úmidos.

Os livros na estante e os recados na geladeira. O estaleiro de Juan Carlos Onetti e os poemas de Carlos Drummond de Andrade. Estacionados e juntos. O barulho dos saltos dela pela casa. I’ll try anything once. Os discos de Miles Davis e The Black Keys. O chiado da agulha no fim da música. A escolha de uma faixa mais dançante. Contas rotineiras na pequena bolsa florida. Os ruídos que faz quando chega. O seu jeito de mexer os cabelos com uma das mãos. O quadro da tropicália pendurado na parede: acabou chorare.

As esquinas das ruas de São Paulo. O edifício Martinelli, Joelma e os ladrilhos azuis caídos na calçada da avenida São Luís. Vamos de mãos dadas, amar — Mário de Andrade. O nosso tango em Buenos Aires. Jogo da amarelinha é mais fácil. Ela veio de outro lugar. Da rua Aibi até a Frei. Nova Odessa e a distante rua Mário Totta. O certeiro copo de gim. Um dia para ser todos. A simplicidade do sentimento do mundo. Sim, Mutantes. Ela é minha menina e eu sou o menino dela.

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