E não será o fim

jamais

 

enquanto houver o deslize

entre suas pernas macias

enquanto eu sentir a textura

nos meus dedos

e o vento

com odor de nuvens floridas

com insetos mortos batendo em meu rosto

 

jamais

 

enquanto houver a ternura

do sorriso comprado com meu beijo

enquanto eu matar

com meus dedos

e tudo pode parar

num momento lisérgico

de roupas brancas numa tarde em Cabo Verde

num amontoado de sinos silenciosos

 

jamais

vai haver poesia

e textos mortos espalhados

pelo chão batido e seco

jamais

e não será o fim

 

 

Imagem: Arte Jornalirismo

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