E tudo começou

 

 

A lua estava linda na quarta-feira. Insisti em ficar na sacada observando o movimento, aquele clima que só o verão consegue ter, apesar de já ter chegado março. Depois de horas sentada na cadeira, meus amigos resolveram aparecer. Já era tarde, poxa. A Aninha estava animada porque começara a namorar aquele dia. A Bel, que terminara o relacionamento mês passado, estava só pela folia. E o Miguel, nosso melhor amigo, estava sempre conosco para dar aquelas dicas infalíveis. Então, como disse, aquela noite pedia uma cerveja e, claro, um papo com os amigos.


Descemos e fomos para a rua. Eu vestia uma calça preta e uma blusa azul. Fiquei por alguns instantes dentro do carro escutando “Valerie”, da Amy Winehouse
(Ouça Aqui). Enquanto a galera sorria e bebia, eu olhei de canto e o vi se aproximando. Ele, o homem que tem mexido com meus sentimentos. É apenas uma história, não de amor, de paixão.

 

Fiquei quieta na minha, apenas sorri quando ele se aproximou e pediu um copo de cerveja, mas logo me apresentei. Lembro de que ele vestia calça e camiseta. Desde o princípio foi sempre tão tranquilo e calmo com as palavras, seus olhos castanho-rubros insistiam em ficar olhando meus claros olhos. Do modo que me senti logo no mesmo momento diante de homem, e que homem. Não era um rapaz como os tantos que eu já namorara. Ele já podia ter quase cinquenta, com a aparência de quarenta. Porque bonito, nossa, isso ele é. Charmoso, elegante. Ele tinha todas as qualidades que um homem maduro e experiente tem. Suas mãos não eram muito grandes, mas o suficiente para eu sentir quando passava o copo.

 

Conversamos aquela noite. Claro, não aconteceu nada. Nem beijo, nem troca de telefone. Nada. Mas a cidade, como é pequena, tem apenas uma praça e uma igreja, não tornaria impossível um reencontro, num outro dia. E assim aconteceu. Por diversos dias nos vimos todos os dias. Conversamos muito. Ele me tocou pouco. Me elogiou. Fui assimilando que aquele homem era mais que homem, era um cara com que toda mulher gostaria de se envolver na vida. Era o homem que me deixava calma, o homem que eu gostaria de ter por uma noite, o homem que me fez acreditar nos sonhos, o homem que me tratou sempre bem, o homem das aventuras, era ele, o homem.

 

E então chegou um dia, uma sexta-feira. Dia bonito de sol. Ali foi o início. Com um abraço mais intenso que os outros. No outro dia, uma conversa pelo Face, assim como em tantos outros dias. E foi assim durante muito tempo. Até que, um dia, aconteceu.

 

E a partir de agora tudo é imaginação.

 

O que os dois queriam desde o início, o encontro a sós, intimidade. E foi, e foi bom. O beijo não fora dado antes daquela forma, o carinho, o momento eternizado num abraço. E a história parece que nem bem começou porque esse homem ainda mexe com ela, esse homem ainda a faz sentir-se viva. Esse homem é o cara. O cara da quarta-feira que entrou não por acaso em sua vida. O homem da sexta-feira. O homem da paixão, dos desejos, das descobertas, porque ainda falta desdobrar o desejo deste homem.

 

*Angélica Weise é jornalista e pesquisadora.

 


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