Entre seguranças, incertezas e ironias

 

 

Aquela era uma mesa animada. Cheia de gente. Todos jovens. Cheguei ao final da conversa. Junto com a conta. Quem me chamou foi um rapaz muito bonito, que conversa com outro nem tão bonito assim. Mas tinha lá seu charme. O assunto era orientação sexual.

 

— Nunca entendi por que alguns caras não aceitam ter amigos gays. Eu tenho um monte e gosto de mulher. Isso não me incomoda em nada… – dizia o mais garboso dos amigos.

— Também nunca entendi.

— Deve ser insegurança… Só pode…

— Ah, é. Eu mesmo sou tão seguro da minha orientação, que não tenho medo nenhum. Tenho amigos gays, heteros e tudo bem. Gosto dessa diversidade.

— É assim que tem de ser. Só assim para entender o mundo de forma mais completa.

— Sou tão seguro, que até já fiquei com outros homens, sabe? E nada mudou pra mim. Continuo heterossexual, como sempre fui!

 

Ooops… Momento de silêncio. Nosso amigo mais bonito ficou um pouco confuso. Não sabia muito bem o que dizer. O rapaz passou as mãos nos cabelos. Olhou pro seu interlocutor. Deu um gole em mim. Como se procurasse uma inspiração. Devolveu-me ao pires, minha zona de conforto. E em seguida disse, com um leve sorriso de canto de boca:

 

— É, amigo, isso que é segurança!…

 

Conta paga. Todos levantaram. Foram embora. E eu fiquei. Dei uma irônica risada de café. Meu amigo querido e companheiro, talvez você não conheça minha risada. Mas acredite, ela existe. O que dizer? Esse cafezinho ouve cada uma…

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