A fábula da borboleta e da mariposa

Era uma mariposa negra, daquelas grandonas, que se achava linda! Mas mal sabia que ali, na cidade, as pessoas não gostavam dela e a chamavam de “bruxa”.

E era uma borboleta que também se achava linda e rara. E não conhecia a mariposa grandona.

Um dia as duas se encontraram sem querer em uma situação difícil.

Estava anoitecendo. A borboleta, cansada de tanto voar, entrou em uma casa e pousou em uma parede para descansar. Ouviu elogios das pessoas que ali estavam: como era bonita, diziam os meninos. Que sorte a nossa ter uma borboleta na sala, diziam os adultos. E ninguém a incomodou.

Mais tarde, já noite, a mariposa negra entrou na mesma casa. Estava cansada e só queria um cantinho para descansar. Mas, mal a mariposa entrou na sala, foi um escândalo…

As crianças gritaram assustadas, os adultos se levantaram enojados, e logo uma vassoura apareceu em perseguição à mariposa, que se viu encurralada e se preparou para morrer…

Mas a borboleta estava ali, lembram-se?

A borboleta ficou horrorizada com a perseguição à mariposa. As mesmas pessoas que tanto a elogiaram como podiam ser tão diferentes agora? A borboleta teve uma ideia. Lembrou-se que aqueles humanos não a tinham visto voando.

A borboleta então abriu bem as asas e voou, mostrando toda a sua exuberância. E voou justamente para a frente dos adultos que empunhavam a vassoura contra a mariposa.

A borboleta voou tão lindamente que, por alguns segundos, aquelas pessoas se esqueceram da mariposa para contemplar o que achavam ser belo. Foi o suficiente para a mariposa escapar, pela janela, agradecendo a coragem da borboleta em seu coração.

O tempo passou. Mariposa e borboleta não mais se viram. Até que um dia…

Um dia, na floresta, a mariposa descansava camuflada em um tronco de árvore. Foi quando percebeu um humano, com uma rede na mão. De repente, viu que o humano fez um movimento com a rede e prendeu algo. Prendeu algo que se debatia, desesperado.

A mariposa fixou seus olhos e percebeu que uma borboleta havia sido presa na rede. O homem era um caçador de borboletas, um colecionador maligno. Mas aquela não era qualquer borboleta. Era a mesma que havia atuado, fazia muito tempo, tão corajosamente naquela casa e salvado a mariposa.

Chegara a hora de a mariposa pagar a dívida de coragem. Sabia, desde aquela noite naquela casa, que os homens se assustavam com mariposas como ela. Assim, a mariposa preparou seu voo mais assustador. Abriu bem suas asas e deu um voo rasante na frente do nariz do caçador.

O homem se assustou e deixou a rede cair. Com o impacto no chão, a borboleta se soltou e voou para longe…

Mas, ao voar, teve tempo de reconhecer a mesma mariposa que salvara havia tanto tempo. E a borboleta guardou a imagem da mariposa no coração… A coragem da borboleta no passado foi a salvação da borboleta no presente.

Mariposa e borboleta nunca mais se viram, mas nunca mais se esqueceram…

E os humanos? Os humanos continuaram sendo assim mesmo…

 

*História feita para Alice, minha filha, com 5 anos nesta data.

 

2 comentários para “A fábula da borboleta e da mariposa”

  1. SÍDNEY

    Como é bom saber, que nesses dias ainda podemos encontrar pessoas sensíveis. Pensei que não fosse encontrar, nunca mais, almas assim. Linda fábula, meus cumprimentos. Caso não conheça, procure pelo "O Poder da Mensagem de Hélio Ribeiro". Dizia ele: " – Tudo que comunica, modifica; ou modifica pra melhor, ou modifica pra pior. Não,….não tem jeito." Sua fábula é um agente modificador, e para melhor. Tenha certeza.

  2. Keli Vasconcelos

    Keli Vasconcelos

    Lindo o seu texto, Antônio. Obrigada por dividir o seu ensinamento à sua filha para nós. A natureza tem tanto para nos ensinar, pena que muitas vezes não damos ouvidos. Que o voo das falenas, borboletas, mariposas, seja puro e leve em nossos corações. Parabéns! 🙂

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