Mas ela nunca apareceu

 

Muita coisa aconteceu na minha vida até ali, naquela noite. Muita merda, algumas coisas boas de vez em quando. Umas bocetas, um pouco de dinheiro, bebida pra cacete. Armários quebrados, corações partidos, carros arrebentados de propósito no poste. Dormi em casas de estranhos, dormi diante das casas delas, dormi na porra da rua e vez ou outra não consegui dormir. Eu aqui, com meus parcos vinte e quatro anos, querendo falar da vida e parecer profundo. Mas, por Deus, acredite que eu já vi muita coisa por aí. Apesar de que, no fim das contas, assim que a vida é, não é? Um monte de coisa que você vê, sente, respira, chuta pela porta da frente, enfia no cu, passa na cabeça do pau pra lubrificar melhor. Um monte de coisa e um monte de problemas e um monte de alegrias que podem ir embora a qualquer hora. E a parte mais interessante dessa história é que sempre vai ser assim. No fim das contas, o andamento dessa merda toda tá na nossa cabeça. O corpo só reage ao que a gente pensa. Resumindo, a vida pode ser boa, se você não desiste.

 

Eu não desisti.

 

Apesar de alguns atos e pensamentos meus dizerem o contrário, eu não desisti. Tanto é que eu estava ali, naquela noite de sexta-feira. Bem-vestido, cheirando perfume francês, o coração batendo forte, um pau grande nas calças, a barba bem aparada e um cartão de crédito platina no bolso. E ainda assim, sozinho. Apesar de por pouco tempo, sozinho.

 

Eu a conhecera na noite da cidade, uma outra noite da cidade semanas atrás, falando qualquer coisa com um monte de desconhecidos. Ouvindo suas risadas e pensando “que porra é essa?”, retrucando aos seus comentários e pensando “de onde veio isso?”, sendo engraçado e arrogante e pensando “quem é você, cara?”. E, no fim das contas, se sentindo estranhamente bem. Rodando por aí, pela noite, fazendo amizades que nascem e morrem na mesma noite, colecionando números de telefone, evitando contato físico. Foi numa dessas que eu a conheci. Numa história de merda que eu contei e ela achou interessante. Risadas enquanto ela contava alguma outra história e a conversa ia embora. Eu tentando parecer interessante e conseguindo. Demorou um pouco, mas percebi que sempre consigo parecer interessante porque, de fato, sou interessante pra caralho. Me desculpe, mas a modéstia, assim como a sinceridade, nunca foram meu forte. Enfie suas críticas no cu e me escute. Enfim. Quando eu vi, deixei o jogo de lado, e quando vi, já era de manhã. Ela mexeu no cabelo escuro pela milésima vez naquela noite/manhã e piscou os olhos enormes uma última vez. Me deu seu telefone (mais um), um beijo no rosto (mais um), um abraço (mais um) e se foi, deixando o portão de ferro bater. Mas ela não era só mais uma. Algo, de alguma forma, me dizia que ela valia o esforço. Terminei minha cerveja enquanto os passarinhos cantavam canções de ninar e os homens de bem se levantavam para mais um dia de trabalho e os solitários serviam comida aos seus gatos ou saíam para passear com seus cães e os velhos e idosos agradeciam a Deus por mais um dia.

 

De lá pra cá, o telefone piscando o tempo inteiro. Dias e noites a fio. Semanas inteiras de blingbling e tililimtililim e toctoc e esses barulhos irritantes que ainda serão os responsáveis pela porra do apocalipse. Altos e baixos, quente e frio, esquerda e direita. Teste de paciência misturado com massagem no ego e um pouco de tecnologia. Steve Jobs chupando uma rola dura no inferno. Bill Gates enfiando o dinheiro e a própria pica goela abaixo das crianças africanas. E eu colocando minha energia e paixão e inteligência em pixels numa tela de seis ou sete centímetros. De vez em quando era eu, de vez em quando era ela, e de vez em quando eram elas. Mas ninguém se vê mais. Ninguém se toca mais. Ninguém ouve mais a voz um do outro. É como as pessoas dizem: todo mundo é filho da puta agora. O que as pessoas dizem, afinal? Estou surdo com todos esses sons, cego com todas essas luzes.

 

Mas, voltando à história, tudo isso acabava naquela noite de sexta-feira. Eu tinha algo combinado com ela, graças a Deus. Eu não disse? Deus existe. Deus ainda é pai, mãe, filho, primo, sobrinho e um puta de um cara sádico. E quando Deus tira um dia de folga, essas coisas acontecem e eu arranjo um motivo pra me vestir bem e passar meu perfume francês. Naquela sexta-feira. Cheguei um pouco atrasado. Alguma coisa depois das nove da noite. A vida real não se importa com suas sextas-feiras. Você ainda tem obrigações a fazer e contas a pagar, no matter what. Um prédio velho no centro da cidade, uns pôsteres na parede, uma aula de dança cheia de gente e cheia de velhinhos gente boa rolando do outro lado da calçada. Pensei em deixar essa parada pra lá e chamar uma velhinha pra dançar e depois perguntar pra ela “como você consegue?”, mas eu sou um cara que honra os compromissos. Eu estava completamente fora da minha zona de conforto. Mas antes fora da minha zona de conforto do que fora de mim.

 

Na porta do lugar, um monte de camaradas se passavam pelo Bob Marley ou o Johnny Cash, se ele fosse preto e um pouco menos racista. Seus cabelos balançando por todo o lado. Suas tatuagens à mostra. Todo mundo pedia em silêncio “POR FAVOR, OLHE PRA MIM”, mas se você olhava eles faziam cara de mau, como se dissessem “POR QUE A SOCIEDADE NÃO ACEITA QUE EU SOU DIFERENTE?”, mas eu só dava a eles o que eles queriam e procurava sorrir. Na dúvida, sempre dê um sorriso. Um simples sorriso já terminou com brigas antes mesmo de elas começarem e levou mulheres para a minha cama antes mesmo de eu dizer meu nome ou o que vim fazer aqui, nesse mundo. Mas o único sorriso que eu fui capaz de dar nos últimos dias foi um dois-pontos e um fechar de parênteses, então eu sei que ele já não tinha essa mesma magia e eu sei que estava sorrindo ali por minha conta e risco. Mas eu sou um viciado em adrenalina. Um junkie por aquela sensação de confusão, aquela dúvida que bate antes mesmo de você pensar “QUE PORRA EU FAÇO, AGORA FODEU“. E aí chegou minha vez.

 

― Tem nome na lista, brother?

― O quê?… Não, não… Tem uns amigos me esperando lá em cima.

― Normalmente é só com nome na lista, amigão.

― Sei lá, escreve meu nome aí agora, então. Sei lá, cara, foda-se. Meus amigos tão me esperando. É despedida de solteiro de um deles e eu sou o padrinho. Não posso perder isso.

 

A grande vantagem de ser um escritor (?) é saber mentir e conseguir o que quer.

 

― Pô, por que cê não me disse isso antes, mermão? Quem sou eu pra impedir O DIA MAIS FELIZ DA VIDA DE UM HOMEM de acontecer? Vai lá, sobe lá agora! Corre! São quinze reais.

― Valeu, você é um cara legal, cara.

 

Ele chegou mais perto pra falar no meu ouvido.

 

― Se quiser farinha e boceta, fala comigo mais tarde. Te arranjo fácil.

― Pode deixar. Eu sei que isso não vai ser problema.

― E qual é teu nome, parceiro?

― Vito. Vito Beaumont.

 

Falar meu nome dessa forma me deixava de pau duro.

 

Subi quatro lances de escada e comecei a escutar a música. Música boa, difícil de ignorar e fácil de ouvir. Música assim me deixava de pau duro. E, pera aí, falando desse jeito eu pareço um pervertido sexual ou algo do tipo. Reformulando, música assim me deixava todo OURIÇADO. A noite ia ser interessante, no mínimo. Aquela sexta-feira ia ser boa. Luzes vermelhas pra tudo que é canto e as paredes tremendo com o som alto. Parei antes de entrar pra pegar meu grande amor nas mãos. Uma cerveja e lá vou eu. Com o pé direito eu piso no lugar pela primeira vez, com os dois olhos procurando em todos os cantos pela menina de olhos grandes e cabelos escuros que nunca param. As pessoas espalhadas pelos cantos e sofás e sacadas. Muitos lugares para olhar e procurar. Muitas vozes para ouvir. Muitos olhares para fazer contato visual em uma sala enorme e escura. E aí eu percebi que não ia dar pra fazer aquilo sem parecer um completo solitário em busca de atenção. E aí eu me lembrei que todo mundo ali era, em algum ponto, um completo solitário em busca de atenção. Ali e em qualquer outro lugar do mundo. Vocês veem, não existe essa história de plenitude total. De se bastar por inteiro. Todo mundo está minimamente sozinho em algum ponto da vida, em algum momento do dia, todos os dias. Tudo gira em torno de saber lidar com essa porra. O pote no fim do arco-íris (esse sim, real) é aprender a administrar os batimentos do próprio coração e a loucura da mente.

 

Era pra ela já estar me esperando. Varri a sala e os rostos, mas não a encontrei. Em nenhuma sacada, em nenhum sofá, em nenhum olhar. Eu não a vi em nenhum lugar. Com o perdão da rima, mas é que mulheres e frustrações me deixam mais poético que o normal. No centro da sala, uma sacada vazia. Era o local perfeito, uma vez que eu conseguia ficar sozinho para pensar e observar o ambiente e ainda assim estar no meio da multidão, misturado aos grupos e não agindo como um completo perdedor. Eu e a dignidade no lugar certo. E eu ainda preocupado com o que pensam de mim, o que já é agir como um completo perdedor. Mas isso são outros quinhentos. Ou melhor, outros cento e cinquenta reais gastos (investidos?) na minha terapia às quintas-feiras.

 

Era uma noite linda nesse canto da cidade. Esse canto antigo da cidade. A aula de dança tinha terminado. E agora, lá embaixo, nas calçadas, tudo tinha aquele charme peculiar que a idade traz. Aquela cor distinta, um amarelado meio ouro, meio bronze. Amarelo nas ruas, nas fachadas dos prédios, na luz que ilumina a miséria do homem. Traficantes fazendo seus negócios ao lado de prédios históricos do governo. Mendigos pedindo esmola para Deus ter misericórdia de suas almas em frente a igrejas mais antigas que a própria fé.

 

Na sacada ao lado, uma senhorita na faixa dos seus quarenta anos me identificou. Carne fresca. Jovem, arrumado, cheio de vida. E o melhor: sozinho como ela. Foi toda uma soma de fatores que a fez se inclinar em minha direção sem falar absolutamente nada. Só me olhando, com um sorriso estúpido, dizendo “venha, estou te dando a chance de me comer” sem dizer nada. Era triste. Depois de tanto tempo, tanta merda vivida, tantos homens, ela ainda enxergava a necessidade de jogos e atividades e gincanas. Fiquei constrangido e levemente ofendido, confesso. O tempo passava e ela continuava ali, me olhando com aqueles olhos cheios de sombra preta e o nariz cheio de pó branco.

 

― Boa-noite, posso ajudar em alguma coisa? – questionei.

― Claro. Pode começar me dizendo seu nome.

― É Vito. Vito Beaumont – não fiquei de pau duro, dessa vez.

― Belo nome, Vito. Eu me chamo Danúbia.

― Legal, Danúbia. Algo mais? É que eu reparei que você tá me olhando, querendo dizer algo.

― Não. Nada demais, cara. Te achei bonito, só, parece ser bom de conversa. Tá a fim de se divertir?

― Se eu tô a fim? Mas eu tô me divertindo, Danúbia! Olhe ao seu redor, isso é uma festa! – eu disse, nervoso.

― Tem certeza? Você parece sozinho, sem companhia. Pensei em te ajudar com isso.

― Minha solidão é momentânea. Minha companhia tá pra chegar e não seria legal se ela encontrasse a gente junto, você me entende? Além do mais, solidão não significa tristeza. Eu já compartilhei momentos com muitas pessoas, bons momentos, mas nenhuma companhia se equivale à minha.

 

Mentiras, omissões, verdades e sabedorias se digladiando nessa minha frase.

 

― Eu sabia que você era bom de papo. Você é divertidíssimo, Vito. Não quer ir lá pra casa me contar alguma história engraçada?

― Danúbia, eu não tenho boas histórias, meu bem. Minhas histórias são todas uma merda. Eu digo, literalmente. Eu sou um cara muito escatológico. Coisas de escritor, entendeu? Meu último conto publicado chama-se QUANDO NEM A SUA MERDA DESEJA VOCÊ, então eu acho que você não vai querer ouvir esse tipo de coisa, ainda mais na sua casa.

― Hummm, escritor, é? E se eu fosse um livro, que nome você me daria?

― Fácil: DANÚBIA ESTÁ DESESPERADA.

 

Ela fechou a cara e foi pegar uma cerveja ou só sair de perto de mim mesmo. No meio do caminho, uma mistura de Chico Buarque com um morador de rua a puxou pra dançar e ela abriu um sorriso enorme. Fiquei feliz por Danúbia e aproveitei o momento pra dar uma nova observada no local em busca dela. Mais uma vez, nada. Comecei a levar em conta a ideia de que ela não iria aparecer. Já se passavam trinta minutos desde que cheguei e nada daqueles olhos enormes. Mas tudo se mantinha no lugar, dentro de mim. Eu estava bem. Ótimo, na verdade. Danúbia estava desesperada e eu nunca me senti tão no controle. Peguei meu telefone, nenhuma mensagem. Nenhuma ligação. Liguei pra ela. Disquei um telefone com oito no número. Duas bolas enormes como seus olhos. Chamou uma, duas vezes e parou. Deixei meu orgulho de lado e tentei mais uma vez. Se o orgulho não existisse, o número de divórcios seria bem menor e as pessoas seriam mais felizes e o mundo viveria em paz e a desigualdade não seria uma epidemia. O orgulho constrói e destrói o homem, começando por seu pobre coração. Mas ela não atendeu de novo e aí se fez desnecessária uma terceira ligação.

 

Que será, será.

Whatever will be, will be.

 

Doris Day e Hitchcock ensinaram tudo o que o homem precisa saber há muito tempo e ninguém se ligou nisso. Então que aquela noite se mantivesse boa.

 

Fui pegar mais uma cerveja e, no caminho, vi Danúbia passando a mão no pau do Chico Buarque por cima da calça. Uma senhorita de classe, essa Danúbia. Dona Danúbia não estava mais desesperada. E nada dela. Tudo bem. Peguei minha cerveja e voltei pra minha sacada. No prédio da frente, dezenas de velhas janelas abertas. Um paraíso pra qualquer voyeur, pervertido e homens dessa espécie da qual eu não faço parte, só pra ficar claro.

 

Numa janela no sétimo andar, uma moça boa arrumava os peitos dentro do sutiã. Gastava muito tempo diante do espelho. Fazia bico, jogava o cabelo pros lados, arranhava o ar. Borrifou perfume na boceta, o que eu achei muito digno. Batom vermelho na boca. Tão vermelho, que, mesmo dali, de longe, eu sentia vontade de beijá-la. Mais caras. Mais bocas. Mais perfume e cremes e loções e pó. Todo mundo parecia cheirar pó nesse canto da cidade. E ainda assim todo mundo parecia muito simpático. Mais alguns minutos e lá foi ela, pela porta. Entrou no primeiro carro que parou. A moça boa era prostituta, por sinal. Moça digna. Todas as felicidades a ela e a sua boceta cheirosa.

 

Depois da terceira cerveja, fui pra perto da pista de dança, já aceitando o fato de que eu estava, de fato, sozinho. Os Bobs Marleys e Johnnies Cashs e Chicos Buarques e Danúbias sabiam dançar. Se divertiam e divertiam todos ao redor, com seus pés rápidos e seus braços instáveis. Entrei nessa, da minha própria forma, com o meu próprio mistério e acabei fazendo algumas daquelas amizades que nascem e morrem na mesma noite. Quando a música parou, gastei um tempo falando sobre a vida e amores e o trabalho e aquele prédio velho com alguns cantores mortos e consagrados e outros não tão mortos e não tão consagrados assim. Eu parecia no controle e, pensando bem, eu me sentia no controle.

 

Terminei minha cerveja, pedi uma saideira e me sentei no sofá. O mesmo sorriso desde que entrei. E eu pensava em como a jornada vinha sendo longa. Eu pensava em como, há poucos meses, eu estaria lidando com aquela situação. Os armários que eu já teria arrebentado, os postes onde eu teria arremessado meu carro e minha vida, os gritos no vazio e no silêncio, as punhetas chorosas, a absurda quantidade de cerveja, o desespero pelo meu passado guardado em olhos apertados, o fim que nunca chegaria e a tristeza que isso me causaria. Enfim. Pensava em toda a merda em que eu deveria estar enfiado. Mas não estava. E eu me sentia um homem bom. Ou, melhor dizendo, eu me sentia um homem.

 

A noite foi divertida, eu estava vivo, eu tinha umas novas histórias pra contar e escrever. Mas ela nunca apareceu. As pessoas pareciam me respeitar, minha cabeça estava erguida, meu peito estufado. Mas ela nunca apareceu. Minhas mãos estavam limpas e saudáveis, meu coração bombeava sangue para minhas bochechas, meus joelhos continuavam firmes e eu falava com confiança. Mas ela nunca apareceu. A noite brilhava bonita lá fora, a brisa fazia carinho nas minhas pálpebras, o futuro tinha algo reservado pra mim e o presente estava sendo vivido, de uma forma ou de outra. Mas ela nunca apareceu. Apesar de tudo isso e de tudo aquilo e daquilo outro. Apesar de eu ainda me lembrar delas e daquelas. Apesar de eu dormir sozinho e com frio. Apesar dos pesares e a favor dos favorecidos, eu ainda estava aqui. Mas ela nunca apareceu.

 

Dei uma gorjeta gorda pro manobrista. Desejei uma sexta-feira feliz e um fim de semana bom, na companhia da sua família. Subi no meu carro pago com meu próprio esforço. Liguei e ele respondeu roncando alto, com o tanque que eu mesmo enchi. Passei o cinto de segurança porque ainda não era minha hora. E ao invés de tomar o rumo de casa, resolvi pegar a estrada. Para algum lugar ou para o sul de lugar nenhum. Alguma coisa ia acontecer em algum dia e nesse mesmo dia eu iria rir de tudo aquilo. Embora eu já estivesse rindo de tudo aquilo. A lua tentava me dizer algo de bom. A lua que brilha lá no céu e que é só minha e de mais ninguém. Olhei no espelho retrovisor e sorri uma última vez antes de me perder nas curvas da noite. O telefone tocando tarde demais. Ela nunca apareceu. Mas nem toda história precisa terminar igual.

 

 

*Victor Carvalho é redator publicitário e escritor.

 


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