Morte ébria, vida sóbria

 

 

Caminhando torto,

trôpego, bêbado…

Querendo passos firmes,

pisando alto, inseguro…

Como se trilhasse

uma escadaria imensa

e interminável.

 

Destino certo (certo?),

caminho tortuoso.

Mil ideias na cabeça,

nenhuma realmente clara,

consistente ou lógica.

 

As calçadas ficam estreitas.

Atrapalha-se

e tromba com os transeuntes.

Leva empurrões

e escuta gracejos maldosos.

Ora na calçada, ora na rua.

 

O carro… em alta velocidade.

O espaço é curto

para a freada…

O som seco da batida…

o atropelamento.

Um corpo que se esparrama

no asfalto insensível,

impessoal, improvável…

 

Mil ideias e nenhuma

esparramam-se pelo chão.

A história de vida finda

em pouco tempo,

num segundo… menos!

Enfim, o sossego, a paz…

 

Quem passa vê e diz:

— Era um bêbado.

Quem se importa?

 

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