Na fila do pão

 

Querido Henfil,

Estamos no mês de janeiro de 2011 e envio notícias fresquinhas (feito o Buarque) aqui pelo nosso Pasquim Jornalirismo. Época de férias escolares e também de posse presidencial – lembra da mulher que ocupou “quarto de pensão” nos porões da ditadura? Pois é, assumiu o posto mais importante do país com direito a lágrimas e nariz torto do partido aliado.

A gente não pode esquecer o vice – tem muita gente de olho nele e mais gente ainda de olho na mulher dele (muito bonita) e, segundo alguns, candidata a ocupar a Presidência a partir de 2014. Quem disse que beleza não é importante?

Parece que o partido aliado da “Presidenta” não é tão aliado assim – após descontentamento com a distribuição de cargos de segundo escalão, os deputados ameaçaram votar um salário mínimo (que continua miseravelmente mínimo) maior que a proposta apresentada pelo governo.

Que gente maravilhosa! Como sinto orgulho de gente tão preocupada com a população brasileira! Dá vontade de chorar de raiva ao constatar que os homens e os artifícios para sacanear o povo brasileiro continuam os mesmos. Que fezes!

Mas (como disse o Vinicius) não tem nada, não, tem a Copinha, o Paulista e o Brasileirão, tem Carnaval em março e a gente na dança o ano inteiro. Os políticos continuam com as mãos do Mister M… Rê, rê, rê. Tudo nas mãos deles desaparece como num passe de mágica.

Apesar dos embustes todos, é mês de férias e um professor tem direito a descanso após enfrentar mais um ano de aprovação automática. Estava em uma fila (em um pequeno comércio na cidade de Itanhaém – litoral sul de São Paulo), quando um rapaz confidenciou-me (quase um cochicho) que levaria 50 pães.

O último cliente estava fora do mercadinho – estava chovendo e o pão (cada fornada de mais ou menos 200 pães), servido em intervalos de 10 minutos. O rapaz disse 50 pães com tanto constrangimento que dava a impressão de que estava prestes a cometer algum crime.

A pessoa que estava na frente dele pediu 25 pães, ele, você já sabe, e eu pedi 25 também… Faça a conta. Não é mole, não. Os duzentos pães serviam no máximo quatro, cinco pessoas. E os outros na fila e a chuva torrencial.

Fiquei imaginando se os três últimos lugares da fila fossem ocupados por um deputado federal, um estadual e lá no fim um vereador. Acho que o federal (com toda sua habilidade política) ofereceria (ao proprietário do estabelecimento) um forno mais potente (com maior capacidade) para atender melhor seus clientes – desde que ele fosse atendido primeiro, ou seja, furasse a fila na maior cara de pau.

O estadual (por uma questão de hierarquia) aceitaria ser atendido em segundo lugar e em contrapartida conseguiria um fornecedor de farinha de trigo com 50 por cento de desconto em relação aos valores vigentes no mercado.

Já o vereador (café pequeno) aceitaria ser atendido em terceiro lugar e ofereceria um desconto considerável no Imposto Predial e Territorial Urbano. É só brincadeira. Deputados e vereadores jamais fariam propostas tão indecorosas… Fariam?

Abraço com sal aqui do Jornalirista.

Um comentário para “Na fila do pão”

  1. Sílvio Valentin liorbano

    Sílvio Valentin liorbano

    Não queria revelar… Estava com uma sunga fio-dental feito o Gabeira… Rê ,rê, rê…

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