Naquela rua, uma saudade!

Naquela rua de chão batido, meus pais, tios e vizinhos passavam boa parte das tardes dos fins de semana sentados em bancos na porta de casa, conversando. O tempo passava devagar, vivíamos uma grande mágica do tempo. A infância era sadia e muito proveitosa. Andávamos de bicicleta e carrinho de rolimã, jogávamos bola e peteca, divertíamo-nos muito.

As chuvas eram constantes, mais que nos dias atuais, esperávamos estiar um pouco e já estávamos jogando bola. As ruas de terra não atrapalhavam nossas brincadeiras. Não havia tamanha violência, e podíamos brincar até tarde da noite na rua, sem medo.

O prédio nem existia, asfalto também não, mas a paz e o companheirismo não faltavam, apesar de alguns desentendimentos, estávamos sempre unidos.

O velho pé de monguba ainda era forte e glorioso, com seus frutos que eclodiam sempre quando alguém acabara de passar. Lembro-me bem do dia em que um saudoso amigo caiu de cima desta mesma árvore e ficou um bom tempo mudo, ficamos todos com medo de algo pior, mas foi apenas mais uma das suas travessuras.

Algum tempo depois, meus queridos vizinhos mudaram para a avenida Goiás, mas eu continuei sempre indo na casa deles para brincarmos. Somente algum tempo depois, quando mudamos para a fazenda, não tivemos mais contato. Voltamos para Goianésia anos depois, mas já o encontrei um tanto diferente e infelizmente envolvido com drogas, vindo a falecer em um terrível incidente. E a família toda desestruturada pelas drogas.

Nos dias de hoje, muita coisa mudou, o asfalto, a tecnologia que tirou as crianças de brincadeiras saudáveis, o velho pé de monguba já não existe mais. E aquela mágica do tempo sumiu.

Créditos da imagem: Thaiany Regina / Rural Centro

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