O menino e suas laranjas

Basta manter os olhos abertos e algo acontece na sala de aula, nas ruas, nos momentos de lazer e em todos os locais onde exista alguém querendo ensinar e alguém ao lado a fim de aprender.
Agora que nossos olhos já estão bem abertos eu escrevo daqui e você observa o caso que virou texto só para lembrar as pessoas que trabalham nas escolas – porque são vidradas em gente.
Em uma noite que o tempo quase apagou da memória. um homem e uma mulher assistiam ao telejornal e tentavam relaxar depois de um dia de trabalho duro, quando dois menininhos entram na sala e ocupam uma parte do sofá.
Enquanto os apresentadores elencavam as notícias os dois pequenos telespectadores iniciaram uma conversa que os pais não conseguiram identificar o conteúdo. No momento em que o telejornal exibia imagens de uma reportagem interessante os dois são interrompidos pelos pais com um pedido de silêncio.
Havia entre eles (os dois irmãos) uma diferença de três anos de idade, o mais velho (o Silvinho) estava com seis anos e o mais novo (o Lucas) com três anos. O Silvinho já cursava a Escola de Educação Infantil e o Lucas não via a hora de estudar também.
Sem mais nem menos os dois deixaram a sala e entraram na cozinha. Os pais a esta altura já estavam ligadíssimos na atitude suspeita dos filhos. Os pais pediram que os dois saíssem da cozinha o mais rápido possível.
O pai alegou que cozinha é um lugar perigoso para brincar e o Lucas repetiu: “Cozinha é um lugar perigoso!” Quando finalmente os meninos saíram da cozinha, o Silvinho estava com a camiseta cheia de laranjas e o Lucas com a chupeta no canto direito da boca.
Os pais fingiram assistir ao telejornal e de rabo de olho viram e de rabo de ouvido ouviram o seguinte diálogo:
(Silvinho retira uma laranja da camiseta e põem sobre o sofá)
– Uma laranja!
(Lucas repete)
– Uma laranja!
(Silvinho retira mais uma laranja da camiseta e põem sobre o sofá) 
– Uma laranja mais uma laranja?
(Lucas toca as duas laranjas com o dedo indicador direito)
– Duas laranjas!
(Silvinho acrescenta mais uma laranja)
-Duas laranjas mais uma?
(Lucas responde)
– Três!
(E o professor Silvinho acariciando a cabeça do seu aluno com a mão direita)
– Muito bem! Muito bem! Muito bem!
Talvez a professora do Silvinho tenha tratado ele com muito carinho e assim ele aprendeu a dividir, somar, multiplicar e transmitir amor.

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