O que sobra quando acaba? (Ciclos)

O que será depois de hoje, quando as mãos pararem de tremer? Impossível dizer. Quais serão as sensações que se manterão após uma boa noite de sono e um café da manhã reforçado? Vai saber. Para onde vão os sorrisos, os momentos bons e ruins? Sei lá.

 

Para um arquivo mental, talvez.

Um arquivo morto de lembranças e planos.

 

Ciclos são feitos para ser vividos em sua totalidade. Começo, meio e fim. Alguns não gostam de (re)começar. Outros detestam as “barrigas” tediosas que compõem uma caminhada. Eu, cada vez mais, tenho apreciado as dores e sabores que os momentos finais nos apresentam. Reflexões são oportunidades de crescimento.

Um trabalho enfadonho. Relacionamentos fracassados. Gostos que nos fazem perder o paladar. A lógica do bom senso, parafraseando sabe-se lá quem, é que ele pode estar certo e errado ao mesmo tempo. Uma frase assim é boa demais para ter sido criada aqui e agora, enquanto estas linhas são escritas. Que os devidos créditos sejam dados ao ilustre desconhecido criador dessa maravilha de frase.

Seu trabalho ficou chato, seu relacionamento caminha para o fracasso e seus prazeres de hoje podem se tornar banalidades amanhã. Tudo é mutável. E, por causa da mutabilidade das coisas, vamos aprendendo, às vezes no carinho, às vezes na porrada, que quando chegam os momentos finais dos ciclos, precisamos levar muita coisa em consideração. Não é só caminhar até desaparecer. Ou é, vai saber.

O fato é que não respeitamos os momentos finais. Por isso acabamos sendo demitidos por motivos imbecis, ou reduzindo um relacionamento feliz a brigas e ofensas gratuitas. Pra que tanto apego a coisas que não são importantes? Pra que tanto teatro desnecessário? É apenas o fim de um ciclo. É apenas mais uma parede no labirinto da vida. Algo que, por mais que fujamos, sempre acontecerá.

 

Início, meio e fim.

Assim é a vida.

Sua vida.

 

Voltaremos às nossas rotinas tão logo as mãos parem de tremer e as lágrimas de cair. É quase um imperativo categórico que dias melhores virão. Dias piores também. Talvez essa seja a beleza da vida. Talvez seja motivo de desespero, vai saber. Por aqui, voltarei para os meus banhos frios, meus passeios pelas livrarias, minhas malas prontas em cinco minutos, minhas viagens para o colo da mamãe e minhas insanas maratonas cinematográficas. Por aí, a partir de hoje, não sei mais. Que corra tudo bem.

 

Logo, poderemos sorrir novamente.

Somente até o próximo ciclo.

Com início, meio e fim.

Lembre-se disso.

 

Trilha sonora sugerida: Stereophonics – Maybe Tomorrow:

 

 

Imagem: Guilherme Fernandes

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