Os latidos que nós ouvimos

Essa noite ninguém dormiu.

Era o comentário mais falado entre a vizinhança.

Pela manhã na mercearia da esquina.

Pessoas nas calçadas em frente ao portão.

E até algumas famílias dentro de casa.

E realmente eram latidos insuportáveis.

E não eram somente na madrugada.

Eram de manhã, de tarde e também de noite.

 

As alegações eram direcionadas

Para a residência na vizinhança

Onde existiam cinco cães.

Ficavam todos soltos, na garagem.

Subiam a escada que dava para a laje.

E lá de cima latiam muito.

Desciam e subiam a escada.

Alguém na rua, perto do portão? Pronto!

Passarão a latir cada vez mais forte.

 

Até que, durante o dia, os vizinhos resistiam.

Mas, por toda a noite, tudo estava ficando constrangedor.

Pois já fazia mais de ano, a presença dos cães.

Certo que a culpa não era dos mamíferos quadrúpedes.

Mas e o dito dono desses animais?

 

Começou uma reclamação constante dos vizinhos.

Até ameaça de colocar veneno na comida foi mencionada.

Mas sem solução: os latidos continuavam.

O dono dos cães não ficava em casa, era raro vê-lo.

O que fazer?

Essa era a pergunta entre a vizinhança.

 

Os latidos eram tão altos que, dentro das residências,

As pessoas tinham que aumentar o volume da televisão

Se quisessem assistir aos programas com atenção.

Um senhor, que trabalhava à noite, era incomodado.

Um senhor, que trabalhava o dia todo, era incomodado.

Um senhor, que ficava em casa, era incomodado.

As mulheres donas de casa eram incomodadas.

Diante desse incômodo todo,

Resolveram:

Falar com o dono.

Queriam uma solução que fosse boa para ambos os lados.

Muitas foram as conversas, e os latidos permaneciam.

Quando um senhor teve uma ideia.

Reuniram vários vizinhos e o homem propôs:

Para que cada vizinho adotasse um dos cachorros.

Falaram com o possuidor dos cães.

Os latidos que nós ouvimos

Nunca mais soaram incomodando a vizinhança.

Créditos da imagem: petvale.com.br

2 comentários para “Os latidos que nós ouvimos”

  1. Maria Aparecida Laurentino

    Bom texto, pode dar ensejo a muitas interpretações. No final do texto, leva a uma interpretação: As pessoas se incomodam com os outros e não vê as suas próprias mazelas.

  2. Sandra Maria Siraque

    Interessante, onde existe o problema, também existe a solução..bom texto..abraços

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