Quer saber onde?

Encontro-me verticalizado de braços abertos no horizonte escondido e na amplidão do deserto que, de mim, em forma de cruz, verga uma sombra no vazio infinito.

Encontro-me na mansidão da noite, nos beijos da lua, na rota dos desacordados que somos quando não mais controlamos os incessantes pensamentos; cessante pulsar da verdade que não compreendemos.

Encontro-me atolado na lama da alma, sufocante mistério dos mistérios que nunca permite decifrar-lhe. A arte da indagação é vã na compreensão dos infinitos “eus” que habitam a caixa craniana.

Enganam-se os que pensam que fogem de si quando se entorpecem de ópio no invólucro de sua ácida e paralisante mentira.

Pobres coitados, açoitados pela ignorância de sua própria “ verborreialização”  mental

(ação intencional dos fracos) que movidos pela grande roda de Samsara iludem-se com a promessa de que algum dia compreender-se-ão, compreendendo a si e ao próximo.

Vejam os nossos lideres, todos afetados pelos seus “eus si mesmos” contaminados pela enojante aparência de que: faço isso em prol de”…. esquecessem-se de que se esqueceram de si como essência e dos outros, que além de usá-los, os dilacera!

Na mirabolante ideia de que se é possível caminhar na contramão da “farsa-ilusão” sigo eu pelo contorno espiral na observação dos vagos e raros silêncios do turbilhão mental. Como que um “caçador-admirador” das entranhas das entrelinhas que subjetivamente compactuam com o divagar esperançoso e lampejante de um pensamento que grita: Vale à pena continuar, não desista!

 

Imagem: http://seteantigoshepta.blogspot.com.br/

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