Química

 

O pesquisador tem mãe

apaixona-se

joga bola

é grosso

e é pai.

 

Dirige

canta alto

a vidros fechados

e acelera no farol

avermelhando.

 

Descobre coisas toda hora:

 

a paz é líquida

e acolhe-se em peneiras;

 

dentro dos lares

o ar circula em bolhas

respira-se por canudos

os mais longos primeiro

um de cada vez.

 

O pesquisador tem asma

irrita-se

toma café

é doce

e é demais.

 

Vistos em microscópios

sorrisos são radicais

livres.

 

Nenhum carbono conta

a idade real das pedras

nem dos caminhos.

 

Hora do recreio no laboratório

tem fila na cantina

a coxinha é campeã de vendas

e pensar, coisa que se faz agachado, no cantinho.

 

 

*André Argolo é escritor.

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