(Re)amo

 

(Re)visito meu passado, outra vez presente, um presente pra mim.

 

Com olhos de faísca, de trovão e de chuva (chove lá fora, chove aqui dentro), com serenidade sutil e úmida, vou (re)lendo as cartas e os cartões e (re)vendo as fotos das mulheres que amei.

 

Não seremos mais os mesmos, nem elas nem eu, como o banho no rio do sábio grego? Talvez não, mas isso, sinceramente, não importa.

 

Precisará caber tudo nas seis divisórias da nova estante de aço da casa, muito mal montada por mim (bom que chegou um grande amigo e me ajudou a (re)parafusá-la; agora está firme, parece).

 

Na (re)volta das caixas, dos álbuns, dos papéis, dos pertences vários (muitos já sem muita garantia de valia e utilidade), inadvertidamente achei também, escondida no fundo de sacola de plástico negro, uma arma. Recordação (em)pírica e explosiva de tempos tristes de guerra.

 

Não vou matar, nem me matar; preciso é viver e deixar viver.

 

Na nova estante da sala terá de caber também, nem que seja na queda ferrenha de braço com dois volumes grossos, empoados e esboroados, o que ainda não sei, nem como, nem com quem.

 

 

*Guilherme Azevedo é jornalista e escritor, autor dos livros “As Aventuras de Alencar Almeida, o Repórter” (Casa Amarela) e “Propaganda Popular Brasileira” (Editora Senac). Contato: [email protected]

Um comentário para “(Re)amo”

  1. Carlos Brazil

    (Re)paginar é a palavra, ó copidesque
    (Re)paginar é a palavra, ó copidesque

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