Ruptura

Os moinhos de vento são outros

E o Quixote da mais poética aventura

Hoje é Pixote sem armadura

Em um mundo de loucos.

 

Porém, nada é totalmente insano

E aos poucos tudo se explica

Seja o tapa com luva de pelica

Seja a morte de um ser humano.

 

Mas como saber o que determina

Toda forma violenta e inconcebida

De tornar a infância suicida

Feito algo nocivo que se extermina.

 

Como chegar a qualquer veredicto

Se esta sentença já foi imposta

Pela pergunta sem resposta

Que consta no código do dito pelo não dito.

 

Os moinhos de vento são outros

E o Quixote da mais poética aventura

Hoje é Pixote sem armadura

Em um mundo de poucos.

 

Imagem: Composição com ilustração de Gustavo Doré para o livro “Dom Quixote de la Mancha”, de Miguel de Cervantes, e com cena do filme “Pixote”, de Hector Babenco.

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