A saga de um Nariz Vermelho

Você, leitor do Jornalirismo, já deve ter esbarrado em algumas das cartas que o professor de Língua Portuguesa e Jornalirista Sílvio Valentin Liorbano escreve para o Henfil. Se nunca, vale a pena acrescentar tempo e acessá-las (http://www.jornalirismo.com.br/author/silvioliorbano/). Aconselho também a entrar no picadeiro impresso, montado por ele e o ilustrador Sérgio Ramos na aventura A Fuga do Nariz Vermelho (Paulinas, 120 pp), livro voltado não apenas para o público juvenil, mas para todas as idades.

A trama nos transporta para a Cidade Pequena, um lugarejo escondido nos rincões desse mundão velho sem porteira, onde as pessoas tinham o doce hábito de ficar em frente às casas ou na rua mesmo, banhados pela luz do luar, ouvindo fatos do dia, contos escabrosos, novelas para sonhar. No caso, todos ouviam os causos de seu Nonô.

Certa feita, o velho sábio conhecera um menino que quis demais fugir com o circo, mas o medo da reprovação dos pais o fizera desistir. Cada sílaba proferida por Nonô despertou a curiosidade de seu neto Francisco, dono de um coração enorme, onde cabia tudo, inclusive o inocente e belo amor por Nandinha, a mocinha mais linda da escola.

Francisco descobre que o garotinho citado pelo avô nada mais era que um sonho repreendido daquele senhor. E no coração de Francisco não cabe tristezas, repreensões. Ele foge então com a amada para a Cidade Grande, e lá o seu destino será encontrar o circo, fazendo-o dele uma terra fértil de futuro grandioso.

Porém, como sabemos bem, entre o sonho e a realidade existe por vezes uma imensa lacuna. Aí descortina ao respeitável público a grande jornada da vida, com suas dificuldades, encontros, desencontros e, como diria o nosso narrador: “em determinadas ocasiões, as palavras não conseguem explicar a alegria, imaginem a dor”. É perseverar no sonho, mesmo com os percalços. É buscar no traço e no termo a materialização dos nossos propósitos.

A Fuga do Nariz Vermelho é uma daquelas histórias que estão por aí, dentro de nós, crianças. Pequenos seres ansiosos muitas vezes por um abraço, um sorriso do palhaço, de um saco de pipocas e (maçã do) amor. Histórias que fazem a gente rir até deixar nossos narizes vermelhos. E assim seguimos pelos circos de rua, pelos circos da existência, nos agarrando em devaneios e não querendo mais soltá-los.

Não esqueça de seu nariz vermelho, sapato gigante, suspensórios e flor que esguicha água para lavar sua alma, com essa narrativa doce como algodão cor de rosa e brilhante como bexigas coloridas.

A Fuga do Nariz Vermelho
Autor: Sílvio Valentin Liorbano
Ilustrador: Sérgio Ramos
Coleção: Contos no ponto – Série além do conto
Páginas: 120
Editora: Paulinas
Site: https://www.paulinas.org.br/loja/fuga-do-nariz-vermelho-a

Imagem: Keli Vasconcelos

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