San Ernesto de la Higuera

Por que o meu corpo não estava à frente
Do tiro que irrompeu a tua carne?
Poderias, com muito mais capacidade,
Enfrentar o mal que ronda a minha casa.

Vejo, da minha janela, o escuro lá fora.
Ouço os gritos e me acovardo!
A ave de rapina pilha o ninho vizinho,
Enquanto eu conto ao meu filho a tua história.
Falo do que fizestes; da bravura que tivestes.
Só temo que ele me pergunte o que eu faço.

Devo dizer que temo o bicho-papão?
E se o mal invadisse a minha casa
Nesse exato instante em que te escrevo?
Esconderia-me debaixo da cama?
De certo que não. Mas, então, eu me pergunto:
Por que não enfrento o monstro, lá fora?
Longe da minha casa e da minha cria?

Tua foto está ao lado da dele, Ernesto.
É como se eu pedisse proteção.
Teu retrato na parede
É como uma corrente de alho,
Que espanta os maus espíritos.
Ajoelharia-me diante do teu quadro,
Onde olhas para o horizonte,
E faria uma prece por tua ajuda.
Mas sei que não seria do teu agrado.
Não ensinaste ninguém a se curvar.

Então, se me ouves,
Ainda que, hoje, sejas apenas história,
Inspira-me com tua coragem revolucionária!

Estaria disposto a morrer, essa noite,
Enquanto escrevo esse desabafo,
Se a minha morte
Trouxesse um novo sol para o meu povo.

Não aquele, de oito de outubro,
Na Quebrada Del Churo,
Onde foras alvejado por uma bala cega.
Mas um, como na tarde de Havana, em 1959.

Se a minha morte valesse um sorriso
De um índio peruano,
De uma criança da Nicarágua,
De um negro do Haiti!

Se o meu sangue afogasse
O imperialismo ao norte do continente
E a minha carne fosse a última
A servir de alimento
Ao bico afiado da águia,
Certamente, não me arrefeceria a alma,
Atitude tão engajada nos teus conceitos.

Depois, Ernesto,
Acenderíamos um bom charuto
Numa pedra em Higuera.
E, sobre o horizonte,
Para onde olhas na fotografia,
Veríamos o entardecer no céu da Bolívia,
E, então, poderíamos descansar em paz.

4 comentários para “San Ernesto de la Higuera”

  1. Rita

    O que eu posso dizer…..
    Quem tem o talento para exaltá-lo, que o faça – eu só posso admirá-lo e me sentir indignada quando falam de "Che" de uma forma grosseira. Infelizmente mataram o homem, criaram o mito e suas idéias ainda permanecem. Antes de ser um revolucionário e como disseram "assassino", eu perguntaria: Qual a revolução que não fez os seus mortos? as burguesas?
    Pois é "Che", descanse em paz e para aqueles que não gostam de ti, terão que se acostumar a ouvir e ler poesias para você – fazem 42 anos de sua morte , assassinos foram aqueles que o mataram e ainda por cima cortaram suas mãos : crueldade e inveja.

  2. Rogério Pixote

    Salve Sérginho!
    Grande Serginho, o sonho de Che ainda tira sono de muita gente.

  3. Juvenal Azevedo

    Não posso crer
    É incrível que, passados mais de 40 anos de sua morte, haja alguém que se atreva a chamar o revolucionário Ernesto Guevara de \"perro\" (cachorro em espanhol) e \"hijo de puta\", que dispensa tradução.
    Pra quem não sabe, Guevara era um médico argentino de família de classe média alta que, em 1954, foi para a Guatemala, cujo governo do também revolucionário Jacobo Arbens foi deposto por tropas americanas ali desembarcadas, numa das mais famigeradas ações da CIA e que depois, no México, uniu-se a Fidel Castro, seu irmão Raúl, Camilo Cienfuegos e outros mais, de onde participaram do desembarque guerrilheiro na província cubana de Oriente, indo em seguida para a famosa Sierra Maestra. De lá, a entrada triunfal em Havana, no réveillon de 1959. O resto é História, assim mesmo, com H maiúsculo.
    Anos mais tarde, Ché Guevara achou que, para solidificar a revolução cubana era necessário fazer \"um, dois, três Vietnãs na América Latina\", indo para a Bolívia, onde a CIA, sempre ela!, em conluio com a ditadura militar de René Barrientos, o acabou assassinando.
    O leitor Gary Prado, que se declara cidadão boliviano, não deveria jorrar seu ódio e sua virulência contra Guevara que, em vez de se manter somente em Cuba, foi arriscar sua vida em prol da instauração de um governo popular e socialista em seu país. Ou será que o Sr. Prado tem saudades dos terratenientes, dos massacres dos operários mineiros em Oruro e Potosí, das internacionais festas suntuosas e da expoliação dos bens naturais de todos os bolivianos por famílias como as Patiño e Aramayo que detinham o monopólio do estanho? Ou dos sucessivos golpes militares, que deram à Bolívia o triste recorde sulamericano de intervenciones?
    Ou das torturas e das prisões de padrão medieval?
    Ora, Sr. Prado, com essa mentalidade, certamente o senhor deve também ser contra o governo popular e socializante de Evo Morales, o primeiro boliviano descendente de indígenas a chegar ao posto de presidente do país, superando, em importância, a Victor Hugo Cárdenas, um descendente aimará que atingiu a vice-presidência do país.
    Em curto espaço de tempo (historicamente), no passado, a Bolívia perdeu metade do seu território. Recuperá-lo, hoje, não é o mais importante, mas dar melhores condições de vida a seus habitantes, melhorando a distribuição de renda no país, sim. E quando isso ocorrer, esteja onde estiver, San Ernesto de la Higuera sorrirá satisfeito. Seu trabalho revolucionário não terá sido em vão.

  4. Gary Prado

    No puedo creer
    Es increíble que todavia hoy haga uno que escriba "poesias" sobre este perro llamado Che Guevara. Fué un asesino, un tirano, un bandolero en búsqueda de implantar una dictadura en Bolivia. Nosotros lo matamos como se mata a una cucaracha o un mosquito transmisor de enfermedades. Que se quede muerto hasta siempre este hijo de puta a quien llamavan Che Guevara

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