Saudades da roça

Aquela casinha de palha ainda traz na lembrança o tempo de criança. Por entre as frestas, a vida passava em completo desalinho, o gado mugia tranquilamente, enquanto a criançada brincava sob o lampião no terreiro, de pião, finca, pula-corda. Reuníamos todos para contar histórias de assombração, adorávamos, mas, na hora de dormir, era aquele problema.

Naquela época, levantávamos cedinho para aproveitar o dia, descíamos até o córrego para brincarmos e ali ficávamos até cansar, voltando para o almoço ou lanche. Andávamos a cavalo a tarde inteira. Sempre achei uma delícia o amanhecer na fazenda, era uma algazarra de pássaros, o gado reunido no curral e sempre estávamos lá tomando leite, a vida corria devagar e a felicidade era plena.

Lágrimas descem quando me lembro do fogão a lenha, do queijo assado na chapa, do milho na brasa, da mamãe fazendo aquele delicioso queijo toda manhã, daquela vida que só a infância sabe guardar na memória e das conversas animadas com a peãozada durante e após a janta.

No velho radinho, estávamos sempre ouvindo uma boa música sertaneja, foi ali que comecei a gostar de escrever. Pegava um velho caderno e sumia pela fazenda escrevendo poemas, pena que hoje não os tenho mais. E, com o passar do tempo, de repente tudo acabou e voltamos para a cidade.

Aqui, não sinto mais a relva molhada do amanhecer na roça, não ouço o mugido do gado sendo levado ao curral. Verduras, legumes e frutas eram colhidos praticamente na hora de comê-los. Assim era a vida na fazenda e hoje precisamos comprar o que antes tínhamos de fartura.

Talvez, um dia, eu consiga descrever em palavras o que trago no meu coração: tudo aquilo que fiz da minha infância maravilhosa, seja na roça ou seja na cidade, fui feliz.

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