Sobre dores, tatuagens e contos de fadas

 

 

“A necessidade básica do coração humano durante uma grande crise é uma boa xícara de café quente.” Alexander King

 

 

A dor. Ah, a dor. Uma sensação terrível e, ainda assim, tão procurada por vocês. De fato não entendo. Sabe, quando uma asinha da minha xícara quebra, sinto arrepios. Fortes. A dor pode ser física ou não. Dia desses uma jovenzinha, por volta de seus 16 anos, falava à amiga: “Ele se foi. Dói tanto. Parece que todos os meus ossos estão quebrados”. Os adolescentes. Sempre dramáticos. Mas ela não estava errada. A dor de amor é quase física. Assim como uma alma machucada. Uma razão traída. Ou a simples despedida.

 

Tchau. Palavra que dá medo. Que faz vocês tremerem dos pés à cabeça. Também não gosto de despedidas. A diferença é que, para mim, representa apenas a possibilidade de uma história nova. De um amigo novo. Difícil entender. Outras tantas são as dores tão bem descritas por alguns poetas. Uma dor de certa forma egoísta. Daquela que a pessoa se olha no espelho e chora. Até apieda-se de si mesmo.

 

Não contente com todas as variáveis existentes e inerentes à dor, ainda tem quem queira provocá-la. Fazendo uma tatuagem, por exemplo. Uma das minhas amigas mais queridas chegou lá em casa toda ardida. Uma gota de sangue escorria no seu liso dorso. A juventude lhe proporcionava costas invejáveis para as mulheres e desejáveis para os homens (metida, essa minha amiga…). E aquela gota de sangue escorrera. Percorrera um caminho trôpego. Traçando uma estrada. Tudo por causa de um desenho. Não era grande. Nem pequena. “Estou apaixonada”, ela bradava. “Apaixonada pela minha tattoo.”

 

O importante, segundo ela, era exatamente sentir a dor. O ardor da queimadura na sua pele. Sem isso, que graça teria? A mãe não acreditava. Para que isso, filha? Você está procurando um motivo para sofrer? Está querendo problema? É isso? A mãe não entendia a importância do definitivo. O Irremediável. Era disso que ela precisava. Uma paixão da qual não poderia se livrar. Jamais. E para isso, nada mais justificável que a dor intensa.

 

O choro. Os soluços. Expressão tão comum da dor. Embora, euzinho, já tenha presenciado cenas de heroísmo. Em que, ao invés de prantos, o homem dizia: “Estou bem, estou bem. Vamos para o hospital”. E nem uma única lágrima descera naquele rosto.

 

Independentemente da expressão. Da forma como ela é sentida. A dor é tão comum ao ser humano quanto à vida. Ela fortifica, dizem alguns. Ela nos faz sofrer, contestam outros. Mas também pode dar prazer. Existem casais, por exemplo, que gostam de brigas. Gostam de sentir a dor do amor. Só assim se sentem especiais. Outros precisam de dor na sua intimidade mais particular. E ainda existem aqueles que dela não abrem mão. Que a consideram um aprendizado.

 

Seja como for, provocada ou não, ela marca. Ninguém a esquece. Nos contos de fadas ela é um meio. Só através da dor é que o príncipe chega até a princesa. Na Bíblia a dor pode ser redentora. E na vida? Nesse caso ela é verdade. Seja como for, a dor é um rasgo na alma que jamais poderá ser cerzido.

 

 

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