Solidão, um prato que desce rasgando

 

A solidão, quando repleta de pessoas, é a pior.

 

É, eu me sinto sozinha.

 

Aos vinte e oito anos e cercada de gente por todos os lados, até quando não quero, eu me sinto a pessoa mais sozinha do mundo.

 

Sim, sempre fui sensível. Mas minha sensibilidade pode ser facilmente controlada se eu me sentir acolhida por alguém. Eis, então, o grande problema. Não me sinto. Parece que estou no meu barco remando sem uma companhia. Sem alguém que diga: “Ei, deixa eu te ajudar, que parece estar pesado, hoje”. Pois é, está!

 

Sempre gostei de abraços matinais, de risadinhas brincalhonas, de sorrisos largos e dados sem algo em troca. Sempre gostei de criançar, mesmo quando adulta. O problema é que tudo é motivo para julgamento. Tudo é motivo para que algo seja errado e tudo parece ser errado. Qualquer atitude é julgada, e nem sempre a conclusão a que chegam é a melhor.

 

Sinto-me num universo em que meus erros são diários e constantes. A todo minuto. Será? Será mesmo que eu só tenho coisas ruins? Será mesmo verdade que eu sou assim tão execrável? Pode ser que sim.

 

Mas o pior de tudo, além da solidão, é não saber o que realmente pensam. Enquanto riem, parece que pensam o contrário. E, aí, ficar sabendo depois que, enquanto sorriam para você, te metiam o pau por trás é das piores sensações. Algo, como: “Porra, me enganaram. E eu, que tinha o maior carinho por você…”.

 

Eita vida que se complica, quando se deveria facilitar.

 

Não sei mais como agir, como ser, como estar. O que pensar. Se eu não ofereço meu mundo, sou egoísta. Se meu mundo está perdido, sou infantil. Se minha infantilidade incomoda, não sirvo para muito.

 

E se não sirvo para muito, faço o quê, então?

 

*Carol Peres é jornalista e escritora.

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