Soneto iminente

Te adoro tanto que te odeio. Não
Gostares, pois, de mim como eu te gosto
E vou embora e toda vez aposto
O meu orgulho em não voltar. Então

Eu sigo desamando tanto, tão
Perdido nesses erros que eu me encosto
E fico certo de que te desgosto
Andando firme – e te espreitando em vão! –

E em teus cabelos vou galgando tais
Ameias de consorte destronado
Em sonhos, desvairando o triste fado!

Assim, cruel, é que perdura mais!
O amor que pouco espera ser catarse
Eterno, é, na iminência de findar-se!

 

Imagens: literaturabr.com

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