Soneto melindroso

Aquilo o que nos dói por ser mentira

Aquilo o que talvez nos desagrade

Aquilo o que nos dói por ser verdade

É tudo o que um sagaz algoz nos tira

 

Se tudo o que desperta a nossa ira

– E porventura um outro desenfade –

Apenas retornou, que vã maldade

É o gume desta dor que nos partira!

 

Mas se um pequeno escopo sempre existe

Onde estiver nosso tesouro, que arda

E mais, em gratidão ao pervertido

 

Porque fustiga o espaço consentido

O que de nós precisa estar em guarda

Posto que n’alma nunca esteve em riste.

 

 

 

Foto: Guiadoscuriosos.com.br

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