Soneto à morte do cãozinho

O susto, o freio, o estouro e agora jazes
Por entre as vozes, ventos e fumaças
Lamúrias? Como as gotas, tão esparsas!
Velado à sombra dos faróis fugazes!

Erguido pelas mãos dos bons rapazes
Não és tão só na morte (das desgraças)
Ainda que as ações, de amor, escassas
Intentem dar licença aos mais vorazes!

Eis que na penumbra, ao meio-fio
A cauda por três vezes foi batendo
E a força dos mais fortes foi caindo…

E assim deixou pensando quem partiu:
“Espasmo, dor de quem se esvai (sofrendo!)”
“Lembrança, paz de quem se vai (sorrindo!)”

 

Imagem: nestorruiz.com/

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