Superman, Eu?

Superman, eu? Nem de longe.

Sou apenas o mesmo cachorro, correndo atrás do mesmo osso de sempre. Sangrando, chorando, correndo contra o tempo e enchendo minhas linhas de gerundismos necessários. Sou humano. Posso, às vezes, passar a impressão de não ser, mas sou. Demasiadamente humano. Ordinariamente humano. Sem cuecas por cima da calça e trajes colados no corpo, sou apenas o mesmo cachorro de sempre.

Ao som da música, observo. Entre goles e tragadas, reflito. Nada além das minhas funcionalidades e possibilidades. Alguns conseguem mais que os outros. Não adianta reclamar. Não adianta tentar fazer diferente. Meu Fusca pode ser o topo da escala ou o degrau inicial. Tudo depende de mim e das perspectivas que imputo a mim mesmo. Sem superpoderes. Nada substitui o trabalho duro.

Na maior parte das vezes, dói. Muito, até. Para quem está de longe, exacerbadamente desnecessário. Para mim, apenas mais uma dor no hall das dores por que precisamos passar para que tudo possa se arreglar no final dos tempos, quando, talvez, nem mais estejamos aqui. É o tal do sacrifício silencioso que tanto nossos pais fizeram por nós. Hoje, acredite, é a nossa vez.

É a nossa vez porque não cuidamos do que realmente precisávamos cuidar. Nossos olhares estavam dispersos nas notificações das redes sociais, nas mensagens dos grupos telefônicos e nos espelhos que tanto refletem o sorriso quanto a lágrima. É chegado o momento de crescer. Colocar a faca nos dentes e seguir em frente. Ser maior ou estacionar nos prolegômenos. Ou nos dicionários. A escolha é sua.

Vamos cair. Cairemos nas tentativas. Ninguém consegue de primeira. E os que conseguem sofrem para manter. James Dean ou Bruce Dern? Temos que escolher. Sempre teremos. Cair e levantar. Levantar para cair. Sem armações, superpoderes ou estratégias. Assim é a vida. Aceite.

Superman, eu? rá, rá, rá.

Estou mais para João Bobo.

Um grande e sorridente João Bobo.

Imagem: ScreenCrave

Um comentário para “Superman, Eu?”

  1. Keli Vasconcelos

    Keli Vasconcelos

    A vida é assim: uma sucessão de quedas, tropeços. Cair, quebrar a cara mesmo e sorrir vitorioso, afinal é preciso ser forte para ser você mesmo. Show, Guilherme, adorei! 🙂

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