Tudo pelo social?

Dona Josefa acordava de madrugada e saía à rua para buscar sustento para os filhos. Andava de portão em portão catando lixo, recicláveis e tudo de resto que encontrava pela estrada; passava nas feiras-livres, catava sobras de legumes e verduras pelo chão.

O que conseguia era uma mísera quantia, que mal dava para comprar arroz e feijão. Mistura? Só os restos fedidos do latão. Vestimentas surradas, corpo descarnado, sofrimento ao vento, assim era Dona Josefa, assim era seu dia a dia.

Quando conseguiu colocar os filhos na escola, ganhou uma razoável quantia, que ainda mal dava para o arroz e para o feijão. Contudo melhorou a alimentação, não pegava mais legumes e verduras pelo chão. Só que a mudança de situação causou enorme confusão, pois Seu João Doravante de Medeiros, proprietário e de bom salário, questionou a “melhora” de Dona Josefa.

Como pode viver à custa do governo?, assim ele pensava de Dona Josefa e de muitas outras famílias. E, como homem influente, quis acabar com a “mamata”.

Seu Joselito gostaria muito de ver a filha em uma faculdade, mas como, se o pobre homem mal conseguia dar sustento à família? Emprego árduo, ganhava uma ninharia, só para as contas de consumo, vestimentas humildes. Lazer? Só na rua ou sentar na praça da vila, andar pelas ruas e jogar dominó no bar do Seu Dito, filhos nos campos de várzea ou na quadra da escola ou em um espaço cultural abandonado pelo poder público. Assim ele seguia, quando ficou sabendo de um programa do governo, “Todos na Faculdade”; logo avisou a filha, que conseguiu entrar em uma faculdade.

Seu Anísio Tenebroso de Cravo ficou indignado, sou bem empregado em uma multinacional, não consigo pagar uma faculdade para meu filho, o que está acontecendo neste país?, que país é este?, sem-teto, sem-terra, sem-camisa, pobres entrando em faculdade é o fim do mundo!

Dispensou sua empregada porque tinha de registrá-la, pagar seus direitos; e quem não dispensou pagou, mas aumentou os serviços, o horário, dificultando a vida do trabalhador.

Manchetes de jornais:

“Acaba de ser extinto programa que leva jovens de periferia à faculdade”

“Aumento nas contas de consumo supera inflação”

“Carne bovina e outros alimentos da cesta básica terão reajustes de mais de 40%”

“Greve dos professores: Governo não negocia e greve continua”

“Greve no transporte público: Reunião decide pela continuação da greve”

“Cidade prejudicada pela greve dos coletores de lixo”

“Metalúrgicos cruzam os braços em todo o país por melhores salários”

Manchete no jornal!

“Crise na economia é culpa do governo”

Nota: pede-se que a população economize água, luz, alimentos, lazer, educação, cultura, amizade, solidariedade etc. Para que juntos possamos sair da crise econômica, que paira sobre todo o país.

 

Imagem: Contioutra.com.br

2 comentários para “Tudo pelo social?”

  1. Germano Gonçalves

    Germano Gonçalves

    Eflaim Tumenas sempre atencioso, agradece pelo carinho valeu!

  2. Eflaim Tumenas

    Professor Germano, o senhor é nota 10

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