Um lugarzinho no meio do nada, com sabor de desespero

 

Era uma vez um lugarzinho no meio do nada, com sabor de chocolate e cheiro de terra molhada? Não!

 

Era uma vez a tal vida real vindo, assolando e obrigando você a descer do mundo fértil da imaginação para figurar na realidade seca, nua, crua e cinzenta. Mas essa vida real tinha seus momentos bons. Era quando você conseguia sorrir como se fosse uma criança grande. Só que, na maior parte das vezes, a vida real vinha com tudo, como uma avalanche de lágrimas e desespero.

 

Era uma vez um monte de pessoas que vivia no universo da vida real sem saber meio o que fazer. Perdidas, elas viviam os dias como se fossem uma rotina desenfreada que nunca poderia mudar. Pobres pessoinhas. Elas mal sabiam que a vida real poderia ser mudada, de acordo com o desejado.

 

Era uma vez, nesta mesma vida real, outro grupo de pessoinhas que indagava. Que não aceitava ficar na mesmice das coisas. Que sempre queria mais e mais. E esse “mais e mais” nem sempre eram dinheiro ou status, aliás, quase nunca eram. Nesse caso, o conhecimento, a emancipação da alma eram mais importantes.

 

Pois é. Nesta vida real as escolhas nos cultuam. E não há cultura nem costumes que nos façam ceder à vontade de mudar e querer mais. Vamos.

 

Não adianta reclamar dos governantes e eleger corruptos com sorrisos de anjo. Não adianta reclamar do próximo sem observar suas próprias atitudes. Não adianta estar no presente amaldiçoando-o, sendo que todas as colheitas são resultado das plantações do passado.

 

Vamos viver em um lugarzinho só nosso, mas que possa ser dividido. Eu não quero ter desesperanças e quero, sim, que nosso lugarzinho no meio do nada, nossa imaginação vire um pouco de verdade. Assim a vida fica mais doce, que tal?

 

Como estudiosa do comportamento humano atesto que estamos assustados. De fato, foram tantas as agruras, que nos fechamos para proteção. Estamos em processo involutivo. E isso fica claro no desespero dos nossos compartilhamentos, das nossas curtidas. A felicidade é plena nas redes sociais, enquanto a vida real, o tal lugarzinho, parece um lugar obscuro.

 

É medo. É dor. Mas vamos. Vamos recomeçar a olhar para o outro na vida real. Vamos viver como humanos, não como robôs. Vamos.

 

*Carol Peres é jornalista e escritora. Contato: [email protected]

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