Vivendo

 

Quanto mais eu buscava inspiração, mais eu me rendia àquilo que você chamava de tentação.

 

Eu me dividia entre o ritmo da vida tranquila e o anseio de uma descoberta em novos lugares. Rubem Alves já afirmava que sempre estamos tentando recuperar essa felicidade efêmera. Talvez o cheiro da infância tenha ficado para trás e são as lembranças que me atormentam.

 

O pó da saudade me entristece. E é o silêncio que grita. É ele que responde. É o tempo que me compreende. A árvore que me empurra e a ponte que me suspende para ir adiante.

 

É o voo do pássaro que me faz avançar, mas a chuva que me cala. É o trânsito que me aterroriza, mas é nos beijos que busco inspiração.

 

É na solidez dos gatos que finjo ser normal. Na abundância e aconchego do sítio que encontro a paz. Nos livros o conhecimento me cerca.

 

Na grama que piso encontro a firmeza e na rede que deito a leveza. Talvez seja esse erro constante que tenho de achar a vida tão abundante.

 

A lua é que me fascina. A trilha me guia. O mar me expande. A viagem me completa. O sol é a magia do encanto, do dia. E eis que aqui estou. Viva, deslumbrante nessa vida.

 

*Angélica Weise é jornalista e pesquisadora de comunicação.

 

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