Você não sabe a falta que me faz

 

E quer saber?

E fico bem

Com minhas bebidas

Meu cigarro

E minha punheta

 

Você

Não sei

Era pra ter algo além dos sonhos

Mas

Seus sonhos

Não passam de uma varrida

Jogados no ralo de todos os dias

 

Mas

Meu bem

Tudo seria bem melhor

Se nos enquadrássemos

Nisso tudo o que dizem

Para a gente fazer

 

Eu prefiro

Jogar uma pedra no guarda

Botar fogo num carro

Te comer numa praça

Cuspir na cara

Dos políticos populistas sul-americanos

E te comer de novo

Numa rua qualquer

Porque não temos casa

Nem causa

 

E você

Enquanto me deixa atrás dos biombos

Fica tranquila

Eu fico bem

Com minhas bebidas, minhas punhetas e meia dúzia de amigas

Fica com sua boceta e seu orgulho

Estou bem

 

E podíamos

Ter as músicas

As folhas

Os vivos e os mortos

E

Também

O nada

Aliás

É o que eu tenho e mais nada

 

Quer saber?

Você vai se achar

Mas continuo amando o que não tenho mais

Minhas pintas de chocolate

Seu sorriso

E o jeito que você me olhava

Mas vou ficar bem

Com minha bebida, minha punheta

E você

Que fique com sua

Boceta

Até uma próxima, menininha

 

*Luiz Filho é jornalista e escritor.

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