Você conhece o Junior? Depende de que Junior, não é? Bom, este aqui acho que você não conhece, vou apresentá-lo, então.
O Junior veste macacão azul-escuro, tem olhos verdes, a barba por fazer e aquele aspecto fuliginoso que a profissão lhe dá. Junior é mecânico.
Pois foi em sua oficina que deixei, dois dias atrás, meu companheiro fiel, esse alter ego de rodas, um tanto maltratado e sujo, puro desleixo meu, vertendo óleo pelas veias, bem rodado, coroa enxuto, ainda, acho.
Gosto dele demais, meu Corsa 96-97, de cor prata metálica, com os recentes pontinhos de ferrugem, aqui e ali, anunciando o tempo, pra lá dos 120 mil quilômetros rodados de pura paixão.
Vem comigo há alguns anos e foi o primeiro auto que consegui comprar com recursos próprios, a prestações longuíssimas, hoje, felizmente, findas. Orgulho-me dele, mas confesso que, nos tempos mais recentes, andei sentindo um pouco de vergonha de sua companhia, de tão desaprumado e sujo que está, quer dizer, estava.
O Junior já foi logo abrindo o capô e apontando para o motor que bufava. Imundo, todo entupido, lambuzado, óleo esparramado pra tudo que é lado. Tinha que abrir o motor, intervenção cirúrgica, podia demorar, diagnosticou.
O valor do conserto ficou assim meio salgado e em aberto, 300, 350 reais, quem sabe mais, custo incerto como quase tudo em minha vida. Desta vez, a frouxidão do conjunto, essa abertura muitas vezes inconsequente, foi recompensadora, a fresta por onde algo inesperado pôde se esgueirar e aparecer.
Quando voltei na tarde desta sexta-feira para buscar meu companheiro de estrada, já informado do valor do trabalho, fixado superiormente em 450 reais, experimentei novamente aquela sensação de surpresa tão essencial para viver.
O motor estava como novo, limpinho, brilhante. Animei-me: “Junior, tinha uma lâmpada aqui queimada...”. E ele: “Troquei”. Entusiasmei-me mais: “Viu o rolamento das rodas, Junior? Tava um barulho...”. E ele: “Arrumei”.
Enquanto eu elogiava também o fato de o carro levado sujo estar me sendo devolvido lavado, limpo, Junior lastimava não ter encontrado uma buchinha para prender a haste que sustenta o capô aberto, perdida há tempos. “O importante é que você fique satisfeito e me recomende para outras pessoas”, explicou seu modo de trabalho, sorrindo.
Pois meu celular acabou de tocar: é...
- Oi, é o Junior, da mecânica.
Já imaginei coisa muito ruim, que o dinheiro entregue a ele pudesse ser falso, que esquecera de me cobrar por mais alguma coisa ou algo ainda pior.
– Fala, Junior – respondi, meio contrariado.
– Só tô te ligando pra saber o que achou do carro.
– Está bom demais, Junior! Como nunca! – elogiei, com entusiasmo.
E está, mesmo. Correndo feliz outra vez por aí, nos trinques. Garboso e perfumado. Até já ganhou felipeta com a Bruna Ferraz, miss bumbum e capa da Sexy, convidando para o show que ela faz no Guarujá Gatas, dia 6 de agosto.
Bem, se alguma empresa ainda ficou com dúvida de como se faz um bom atendimento ao cliente, do pré ao pós-venda, fale com o Junior por mais informações.
Anote o endereço:
JLJ Mecânica em Geral, rua Pirajussara, 411, Butantã, zona oeste de São Paulo. Telefones: 11 8705 3929 e 3032 2967.
Meu carro agora faz brrrrruuuuunnnnnnaferraz...
